Morar no exterior: o Choque Cultural é algo quase inevitável!

No nosso primeiro artigo Morar no exterior nem sempre é um mar de rosas! falamos sobre alguns dos desafios enfrentados por quem decide viver a aventura de morar em outro país. Mesmo sendo uma experiência única e enriquecedora, em muitas ocasiões encontraremos um descompasso entre nossas idealizações e as vivências diárias.

Durante o período de adaptação à nova cultura, passamos por diversas fases até que haja uma saudável integração dos novos costumes. São fases de encantamentos, frustrações, ajustamentos, isolamento e aceitação.

E, entre essa montanha russa de sentimentos que experimentamos quando decidimos morar no exterior, nos deparamos, principalmente nos primeiros meses, com uma fase que o antropólogo canadense Kalervo Oberg, em 1954, chamou de “choque cultural”.

Morar no exterior: prepare-se para encarar o choque com a nova cultura!

Mesmo com todas as exigências burocráticas que uma mudança de país exige é comum experimentarmos um sentimento de encantamento com o novo, o diferente, nas primeiras semanas ou meses. Mas, quando nos deparamos com algumas dificuldades cotidianas, tais como os desafios relativos à comunicação, ao transporte, escola, bancos, etc, podemos desenvolver sintomas de estresse, ansiedade e até mesmo depressão.

Esta é uma fase mais delicada do que se costuma supor, pois quando entramos em choque com a nova cultura passamos por algumas mudanças físicas e psíquicas, tais como:

Quando meus pacientes estão passando por essa fase, identifico que experimentam um sentimento de alienação e até mesmo ressentimento com o país que os acolhe. E esse é um período que pode ser determinante para quem decide morar no exterior e transformar um futuro de sucesso em um punhado de frustrações.

Isto acontece porque a pessoa pode se mostrar irritada ou hostil com sua nova comunidade, aumentando o risco de reagir principalmente aos sentimentos que projetam no exterior e não mais aos fatos concretos.

É, também, nesta fase que se pode iniciar um aumento do consumo de álcool, drogas, compulsão por compras, casos extraconjugais, vícios em jogos de azar e outros comportamentos disfuncionais.

O apoio da família e de amigos é fundamental!

O apoio de amigos e familiares que já passaram pela experiência de morar no exterior pode ser crucial neste momento, prevenindo que uma experiência rica possa se transformar em uma grande decepção ou em arrependimentos futuros.

Se esse apoio não existir ou se for insuficiente, faz-se necessário recorrer o quanto antes a um apoio profissional, lembrando que o terapeuta que oferece suporte ao expatriado precisa ter experiência sobre o assunto e saber identificar qual a relação das dificuldades que a pessoa vivencia com as exigências de cada fase de adaptação ao novo ambiente.

Tatiana Festi

Tatiana Festi

Atua como psicóloga clínica há mais de 10 anos, é especialista em psicologia junguiana e oferece orientação psicológica on-line para brasileiros que moram no exterior por meio do site Zenklub (https://zenklub.com/psicologos/tatiana-festi) Tatiana é autora/colaboradora no blog VTEnoExterior e atualmente mora no Chile.

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