Morar no Exterior nem sempre é um “mar de rosas”!

Quantas vezes você já ouvir alguém dizer que sonha em morar no exterior? Eu imagino que mais de uma dezena de vezes. Pois é, eu também. E este número tem aumentado consideravelmente nos últimos anos devido a toda esta conjuntura nada favorável na nossa querida Terra Brasilis.

Ontem mesmo, conversando com um casal de amigos, eles comentaram que sempre tiveram o sonho de morar no exterior e que agora, finalmente, estão conseguindo realizá-lo.

Outros, como é o meu caso, nunca pensaram nesta possibilidade mas, de repente, se viram diante de alguma situação que os levaram a tomar a decisão de viver, temporária ou definitivamente, fora do Brasil.

Seja de uma forma ou de outra, uma das consequências mais interessante desta ‘mudança’ é o fato dela criar duas visões totalmente distintas de uma mesma situação: a de quem fica e a de quem vai.

Para quem fica no Brasil, de maneira geral, fica a imagem de que quem está morando no exterior vive um conto de fadas, um mar de rosas. Até porque, muitas vezes é isto que quem emigrou tenta demostrar para a família e para os amigos, em especial, nos seus perfis nas redes sociais.

Para quem encara a mudança, nem sempre a realidade é tão fácil quanto parece. O dia a dia, a distância dos amigos, a saudade da família e a simples adaptação a uma nova cultura pode ser bem mais cruel do que parece.

Em algum momento deste período de adaptação é comum que o emigrante se sinta sozinho, desanimado, com vontade de largar tudo e voltar para o aconchego da família, para a sua zona de conforto, para o local em que se sente ‘em casa’.Morar no Exterior nem sempre é um 'mar de rosas'

Hoje em dia já há inúmeras técnicas psicoterapêuticas que ajudam pessoas em situações como esta. Uma delas é a Psicoterapia On-line, uma forma de ajuda a distância que tem auxiliado muitas pessoas a vencer seus medos e suas dificuldades de adaptação em um novo país.

Morar no Exterior: como a psicoterapia on-line pode te ajudar?

Para entender um pouco melhor esta técnica entrevistamos a Dra. Tatiana Festi – psicóloga com mais de 10 anos de experiência – e que já atendeu vários brasileiros que moram no exterior utilizando a psicoterapia on-line.

1. Dra. Tatiana, como a senhora vê a questão da mudança de país do ponto de vista emocional?

Dra. Tatiana: Quando a pessoa decide morar no exterior ela tem a oportunidade de vivenciar experiências completamente novas. Mas pode ser emocionalmente custoso se adaptar a uma nova língua, numa comunidade com costumes, hábitos e comportamentos diversos dos nossos.

Pode levar meses ou até mesmo anos para a pessoa se adaptar a um novo país. Tudo dependerá da sua personalidade, das condições que precederam essa mudança, assim como das condições em que viverá no novo país.

É evidente que cada pessoa terá os seus próprios desafios, mas durante os meus atendimentos pude observar que existem algumas dificuldades em comum.

2. E quais seriam estas dificuldades em comum enfrentadas por quem decide morar no exterior?

Dra. Tatiana: As queixas principais são a solidão, a dificuldade de comunicação devido ao pouco ou nenhum conhecimento do idioma e uma possível crise existencial.

3. Qual é a queixa mais comum recebida pela senhora durante os atendimentos?

Dra. Tatiana: A solidão é uma das queixas mais comuns que ouço. A pessoa se sente só porque deixou para trás a convivência com sua família, com os seus amigos ou até mesmo com o seu cônjuge. Ela é invadida pelo sentimento de luto diante da perda de seu habitual e antigo estilo de vida. Portanto, vive uma fase de desconexão com o ambiente ao seu redor.

4. E a falta de domínio da língua pode gerar que tipo de consequência?

Dra. Tatiana: Quando a pessoa tem pouco ou nenhum conhecimento da nova língua, ela geralmente se sente temporariamente excluída e dependente de algumas pessoas mais próximas, o que pode abalar a sua autoestima. Ela se sente em desconexão com a nova comunidade.

5. A Senhora mencionou uma possível crise existencial. Como isto pode afetar o emigrante?

Dra. Tatiana: Os brasileiros morando no exterior podem vir a vivenciar uma crise existencial pois, quando estamos longe de nossas origens, algumas questões sobre identidade podem vir à tona e a pessoa passa a se perguntar: Quem sou eu? Estou mesmo feliz com a minha vida ou devo buscar maneiras diferentes de expressar a mim mesma? Enfim, qual é a minha nova interpretação sobre mim mesma?

6. Há alguma outra situação complexa que a senhora tenha identificado durante suas consultas?

Dra. Tatiana: Outra situação que pode ser bastante delicada é quando a pessoa muda para o exterior para acompanhar seu cônjuge, que recebeu uma boa oferta de trabalho, por exemplo. Além de deixar para trás a convivência com os amigos e os familiares, ela geralmente acaba deixando também o seu trabalho, que é uma importante referência na construção da sua identidade.

Essa pessoa costuma levar um tempo bem maior do que seu cônjuge para criar novos vínculos, principalmente se não dominar a nova língua. Ela temporariamente irá se sentir despotencializada, já que estará subutilizando suas capacidades, habilidades e competências. Pode sentir que sua autoestima foi diminuída, chegando a se sentir pouco útil em sua nova vida.

7. E como a terapia on-line pode ajudar nas situações mencionadas acima?

Dra. Tatiana: Os desafios são muitos, mas a terapia on-line oferece recursos para te ajudar a lidar com todo esse processo adaptativo, para que você possa se envolver e se conectar de uma maneira mais suave e enriquecedora com o seu novo ambiente.

Vale lembrar que todas essas situações podem ser dificultadas se a pessoa tiver latente ou já desenvolvido um quadro de depressão, ansiedade, estresse, um luto mal resolvido ou qualquer transtorno ou síndrome psicológica. Essas também são situações tratadas com eficácia durante as sessões de psicoterapia on-line.

8. Como as pessoas podem entrar em contato com a senhora e saber mais sobre a terapia on-line?

Dra. Tatiana: Quem tiver interesse em entrar em contato comigo pode acessar a minha página no site Zenklub.

Muito interessante este trabalho da Dra. Tatiana Festi, vocês não acham?

Eu gostei tanto da entrevista que a convidei para ser colunista do blog e escrever sobre estes temas que podem ser o Calcanhar de Aquiles para muitas pessoas que tentam viver o sonho de uma vida melhor no exterior.

Logo logo vai ter texto novo dela na Seção Vida no Exterior. Não deixe de acompanhar, eles poderão ser de grande valia para você também!

Marlise V. Montello

Marlise V. Montello

Marlise V. Montello é jornalista. Em 2014, começou a escrever o blog MeusRoteiros.com que tinha uma seção dedicada a assuntos de interesse dos brasileiros residentes no exterior. A seção fez tanto sucesso que a jornalista decidiu criar um novo blog, totalmente dedicado a este público. A ideia é levar informação de qualidade aos brasileiros que, por algum motivo, decidem viver fora do Brasil.

2 comentários em “Morar no Exterior nem sempre é um “mar de rosas”!

  • Abril 29, 2017 em 10:03 am
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    Excelente materia Marlise, atualmente vivo em Auckland e apos quase um ano aqui ainda esta sendo super dificil ficar longe da familia, amigos e tudo que deixei no Brasil, meu marido por exemplo não se adaptou de jeito nenhum e decidiu voltar para o país dele. Um abraco

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    • Marlise V. Montello
      Abril 29, 2017 em 2:32 pm
      Permalink

      Olá Mirian,
      Pois é, Mirian, acho que o quesito família/amigos é o que pesa mais p/ nós, brasileiros, não é mesmo!?
      Eu fico analisando pessoas de outros países com os quais tenho contato e parece que p/ eles esta distância não incomoda. É como se tívessemos uma relação diferente com nossos familiares/amigos.
      Obrigada pelo comentário. Volte sempre ao blog!
      Att, Marlise V.Montello

      Resposta

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