PB-4 x Seguro viagem: qual a melhor opção para quem vai para Portugal?

Há algum tempo falamos sobre o PB-4, um documento que o cidadão brasileiro solicita junto ao Núcleo Estadual do Ministério da Saúde e que dá, ao mesmo, o direito de recorrer aos serviços de saúde pública em Portugal, na Itália e em Cabo Verde. Explicamos, também, que este documento pode substituir o seguro saúde exigido dos turistas que visitam estes países.

Mas será que vale mesmo a pena economizar esta grana do seguro viagem? Me convenço cada vez mais de que a resposta é não. Afinal, como diz o ditado, com saúde não se brinca! E a verdade é que a gente só se dá conta disto quando se vê em uma situação inesperada.

CoComparativo: seguro viagem x PB-4 (rede pública de saúde)mo temos percebido que vários turistas brasileiros que visitam Portugal têm recorrido ao PB-4, mesmo sem saber ao certo como funciona, decidimos escrever este artigo para alertá-los sobre esta questão.

Como funciona o PB-4 e a Rede Pública de Saúde em Portugal?

O que acontece se você precisar de atendimento médico em Portugal?

Se você optar por viajar para Portugal portando somente o PB-4 e, por ventura, tiver algum problema de saúde ou acidente, você vai ter que recorrer à rede pública de saúde. Para ser atendido, basta dirigir-se ao hospital público mais próximo portanto do seu passaporte e o PB-4.

Como é a qualidade do atendimento nas Rede Pública de Saúde em Portugal?

Diferente do que acontece no Brasil, a rede pública de saúde em Portugal é muito boa. Você certamente receberá o atendimento necessário. Porém, é preciso deixar bem claro que isto acontecerá no tempo do serviço público. Isto quer dizer que pode ser muito rápido – dependendo do tipo de atendimento que você precisa – ou extremamente lento.

O atendimento será totalmente gratuito?

Não, não existe atendimento médico gratuito em Portugal, a não ser em casos muito específicos. Estes casos são: pessoas que comprovem que não tem como pagar, pessoas portadoras de doenças graves e gestantes.

Em Portugal, paga-se pouco, mas paga-se.

Por exemplo, se você for a uma emergência de algum hospital público em Lisboa, você desembolsará 18 euros para ser atendido. Caso tenha que fazer algum tipo de exame, em gerar pagará por eles também, um valor bem menor, mas pagará.

Seguro viagem x PB-4

Sabe aquela economia que não vale a pena? Pois é, depois de vivenciar os dois lados (Seguro viagem e atendimento público), concluímos que esta é uma das economias que realmente não vale a pena. E não digo isto por causa da qualidade do atendimento. Afirmo isto em função do gasto que você acaba tendo, do tempo que muitas vezes você não tem e das outras coisas que o seguro viagem cobre e que o PB-4 não vai te oferecer.

Para convencê-los disto, vou usar duas situações reais que eu vivenciei. A primeira aconteceu durante uma viagem à França em 2014. Você pode ler toda a história neste link mas, resumindo, eu quebrei o braço e tive que ser submetia a uma cirurgia. Na ocasião recorri ao seguro viagem que cobriu tudo.

A segunda situação aconteceu semana passada. Meu namorado levou um tombo e fraturou o joelho. Não pense que isto é algo impossível. As calçadas em Lisboa são um verdadeiro perigo, super escorregadias, pode acreditar! Também teve que ser submetido a uma cirurgia mas, desta vez, recorremos à rede pública de saúde em Lisboa.

Veja o que aconteceu nas duas situações:

Comparativo: seguro viagem x PB-4 (rede pública de saúde)

A tabela acima não está finalizada pois ainda não recebemos a conta do hospital Curry Cabral, em Lisboa.

Conta? Sim, como mencionamos acima, a saúde pública em Portugal não é totalmente gratuita, portanto, teremos que pagar parte dos gastos e da cirurgia. O valor ainda não sabemos porque eles vão enviar pelo correio. Assim que chegar, atualizarei a figura.

Por que recomendamos o seguro viagem para quem vai a turismo para Portugal?

Bom, mas para finalizar este artigo e tentar convencê-lo a não economizar com aquilo que é essencial e super importante – a sua saúde – gostaria que citar algumas coisas que acho que são fundamentais nesta análise.

  1. Tempo de atendimento: embora as duas situações não fossem emergenciais, o procedimento foi totalmente diferente. No hospital privado, imobilizaram meu braço, me medicaram e me mandaram voltar no dia da cirurgia. Já no hospital público, isto não aconteceu pois é preciso “entrar na fila” para internação e posterior cirurgia. Se você for para casa, perde a sua vez e tem que começar tudo de novo. Agora imagina esta situação se você tem seus dias de férias contados;
  2. Conforto: na primeira situação eu fui para um hotel e aguardei confortavelmente (embora com dor) até o dia da cirurgia. Depois fui internada em um quarto privado com todo conforto e pude ter acompanhante. Na segunda situação, meu namorado ficou internado 5 (cinco) dias em um quarto com mais 3 pessoas até a cirurgia;
  3. Segurança: como não fiquei no hospital até a cirurgia, tive tempo de fazer uma outra consulta em outro hospital para ouvir uma segunda opinião médica e constatar que a cirurgia era a única solução. Na segunda situação não foi possível ouvir uma segunda opinião;

Além dos três itens citados acima, é importante levarmos em conta o fato de que o seguro viagem paga todas as suas despesas (hotel, medicamentos, segunda consulta e até transporte ao seu país, se for o caso).

Entendeu agora porque eu recomendo que você faça um seguro de viagem? E mais, faça um bom seguro!. Eu sempre contrato a World Nomads, para mim um dos melhores seguros de viagem.

Agora se você está se mudando para Portugal, aí sim, é essencial solicitar o PB-4 antes da sua viagem.

Marlise V. Montello

Marlise V. Montello

Marlise V. Montello é jornalista. Em 2014, começou a escrever o blog MeusRoteiros.com que tinha uma seção dedicada a assuntos de interesse dos brasileiros residentes no exterior. A seção fez tanto sucesso que a jornalista decidiu criar um novo blog, totalmente dedicado a este público. A ideia é levar informação de qualidade aos brasileiros que, por algum motivo, decidem viver fora do Brasil.

8 comentários em “PB-4 x Seguro viagem: qual a melhor opção para quem vai para Portugal?

  • junho 19, 2017 em 2:16 pm
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    Bom dia,

    Por quanto tempo vale o seguro viagem? Poe exemplo, pago $2mil em um para o periodo de 3 meses, caso eu fique mais tempo ele não valerá mais?

    Obrigada.

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    • Marlise V. Montello
      junho 20, 2017 em 10:46 am
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      Olá Priscilla,
      O seguro viagem vale pelo tempo que você o contratar. Se você contratar por 3 meses ele valerá por estes 3 meses. Caso queira prorrogar a validade, no caso o World Nomads permite, você deverá pagar pelo outro período.
      Att, Marlise V. Montello

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  • junho 6, 2017 em 11:47 pm
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    Olá Marlise,
    O PB4 substitui o seguro viagem para entrada em Portugal?
    Ou ainda sim obrigatoriamente preciso contratar o seguro viagem?

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    • Marlise V. Montello
      junho 7, 2017 em 3:08 pm
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      Olá Carla,
      Sim, teoricamente as autoridades portuguesas aceitam o PB-4 ao invés do Seguro viagem. Porém, esteja consciente de que o PB-4 é somente para atendimento e ele não cobre as outras coisas que o seguro viagem cobre, ok?
      Att, Marlise V. Montello

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  • janeiro 15, 2017 em 9:41 am
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    O PB4 não cobre algumas situações importantes e necessárias para se entrar no “Espaço Schengen” – a mais grave é traslado de corpo (se você morrer lá, alguém terá que pagar por todo o trabalho de devolver o corpo ao país de origem – imaginem o $$$…). Sugiro verificar com seu cartão de crédito internacional – a maioria já tem este serviço embutido (você já está pagando nas anuidades).

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    • Marlise V. Montello
      janeiro 16, 2017 em 1:01 pm
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      Olá Marlon,
      Exatamente, menciono isto em outros artigos do blog. O PB4, na verdade, é aceito em Portugal e Itália mas, como também explico em outros artigos, somente p/a questão do atendimento de urgência na rede pública de saúde. Ele não serve de forma alguma para outros países do Espaço Schengen. Até por isto redigi este texto para que as pessoas tenham consciência ao utilizá-lo.
      Vc também tem razão em relação aos cartões de crédito. Já citei também em outro artigo a possibilidade de utilização deste seguro. O único problema é que eles só cobrem 30 dias. E não tenho muito informação sobre como é o atendimento. Se você já utilizou e/ou conhece alguém que utilizou o seguro do cartão, fique à vontade p/ deixar sua opinião aqui.
      Att, Marlise V. Montello

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  • dezembro 19, 2016 em 8:50 pm
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    Olá Marlise, este assunto é recorrente e as dúvidas são sempre pertinentes.
    Obrigado por compartilhar a sua experiência.
    A dúvida que tenho é para aqueles que permanecem por longo período em Portugal (vários meses).
    Nestes casos os custos para a contratação de um seguro saúde (os quais são cobrados por dia) se tornam elevados. O que contratar? Existe algum seguro específico para estes casos? Existe algum tipo de seguro que complemente os serviços não cobertos pelo PB4?
    Um abraço.

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    • Marlise V. Montello
      dezembro 20, 2016 em 7:55 pm
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      Olá Luis,
      Pois é, boa pergunta!! Para quem vai ficar mais tempo em Portugal, o PB-4 é uma possibilidade. Só que as pessoas tem que entender que ele não cobre tudo. Ele vai ser muito útil para os problemas de saúde que você tiver em Portugal. Mas, se por ventura, você tiver que retornar ao Brasil, o PB-4 não vai cobrir.
      O que eu percebi, conversando com os portugueses, é que quem tem um pouco mais de condição faz um seguro de saúde privado. Quando o caso não é urgente, eles recorrem à rede pública e quando é caso urgente, eles recorrem ao privado. Agora, por exemplo, no caso de Câncer (cancro, em Portugal), eles se tratam na rede pública porque dizem que é o melhor tratamento, especilistas e tal.
      Agora no caso do brasileiro, sinceramente, ainda não cheguei à conclusão do que seria o “ideal”. Um seguro viagem custa mais ou menos 800 reais por 6 meses, acabei de fazer uma cotação no World Nomads. Não sei quanto sairia um seguro de saúde privado. Seria interessante fazer uma comparação. E verificar também o que cada um cobre p/ saber o que vale mais a pena. Mas, como disse, ainda não cheguei à conclusão do que seria a melhor saída.
      Att, Marlise V. Montello

      Resposta

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