Viver no exterior: A solidão pode ser sintoma de depressão!

No artigo Quem decide morar fora tem que aprender a lidar com a solidão! falei sobre o sentimento de solidão, vivenciado por quem decide viver no exterior, sobre os momentos em que ele se intensifica e sobre quais os tipos de problemas que podemos enfrentar se ele demorar a passar.

Perder os aniversários dos amigos, deixar de acompanhar o crescimento daquele sobrinho que tanto amamos, não estar presente nas celebrações do Natal quando toda a família pode se rever e se abraçar, não é algo fácil de lidar e podemos nunca ficar realmente confortáveis com isso. Infelizmente é um dos preços que se paga quando se decide viver no exterior.

Fortalecer os propósitos que nos levaram à mudança de país e valorizar o amadurecimento que estamos adquirindo com essas experiências é a melhor maneira de superar a solidão.

Mas se, em vez de crescer com a experiência da solidão, você começar a se isolar das pessoas, evitar comparecer em eventos sociais e deixar de sentir ânimo ou prazer com coisas que antes te estimulavam, cuidado! Você pode estar precisando de ajuda profissional.

Viver no exterior: quando devo começar a me preocupar com a solidão?

A depressão é uma doença e o sentimento de solidão pode ser um de seus sintomas. As causas da depressão são as mais variadas. Dentre elas, podemos citar:

  • a vivência de estresse constante;
  • mudanças de vida intensamente bruscas e
  • a quebra de vínculos significativos.

Dependendo das condições que te levaram a viver no exterior e das que encontrará no novo país, as exigências constantes de adaptação podem ser extremamente estressantes.

Mas o que observo como sendo a principal dificuldade de meus pacientes que moram fora é a saudade de pessoas amigas e próximas com quem se possa contar. Sabe aquelas pessoas com quem você tem um vínculo afetivo muito grande e que sempre está a postos a te ajudar? Pois é, saudade delas!

Os sintomas podem surgir neste tipo de situação porque são esses vínculos significativos que alicerçam nossa identidade e socialização no grupo. Quem vive no exterior pode levar um tempo grande para resgatar esses vínculos e por conta desta falta, podem vir a desenvolver sintomas depressivos.

Em que momento devo buscar ajuda?

Viver no Exterior: a solidão pode ser um sintoma da depressãoApenas um profissional qualificado poderá diagnosticar um quadro depressivo. No entanto, se você que mora fora se identificar com alguns dos sintomas que descrevo abaixo, pode ser um sinal de que você deve buscar ajuda!

Sentir-se sozinho!

Você pode estar trabalhando ou estudando no novo país, estar até mesmo rodeado de pessoas, mas se sente sozinho e vai cada vez mais se isolando. Ao mesmo tempo, nega convites para participar de atividades e não vê mais graça em coisas que geralmente te animariam.

Isso acontece porque a pessoa depressiva sente-se vazia a maior parte do tempo. Ela tem a sensação de que sua vida está perdendo o sentido, passa a não dar conta de realizar atividades que antes eram corriqueiras e deixa de sentir prazer com coisas pelas quais antes sentia.

E, quando algo não sai como planejado, as reações aos eventos são extremadas, a pessoa tem a sensação de que as coisas não irão melhorar e o seu mal-estar não irá passar nunca.

Sentir muito cansaço!

Outro sintoma depressivo que observo em meus pacientes que moram fora é o cansaço, uma exaustão que não se justifica pelos esforços físicos do dia. A pessoa pode ter insônia ou sono excessivo, perda ou ganho de peso e muita tensão muscular. Muitas vezes já acordam com dores no corpo.

Estes sintomas são comuns nos primeiros meses de adaptação, mas também surgem após alguma grande decepção, seja ela profissional ou amorosa.

Sentimento de angústia e inferioridade!

Mesmo que você já domine a língua, passar por uma entrevista de trabalho ou ocupar uma vaga numa empresa em que seus colegas, ao contrário de você, são nativos ou já estão muito à frente de você no novo idioma, pode ser bastante angustiante.

Mas quando essa angústia passa a ser generalizada e você começa a se sentir inferior ou incapaz a maior parte do tempo, podendo até mesmo se boicotar em atividades simples, esteja atento, pois talvez seja o início de algo mais grave.

Junto com esses sentimentos de inferioridade você começará a ter pensamentos negativos sobre suas capacidades e habilidades, e começará a se comparar com outras pessoas, chegando a pensar que essa experiência de viver no exterior não é algo para você.

Isso pode acontecer porque, durante a depressão, os pensamentos são distorcidos, a pessoa compara-se excessivamente com outras pessoas e acha que nunca irá melhorar, julga-se como culpada diante de situações que não justificam tais conclusões e, mesmo quando conquista algo, atribui isto a uma causa exterior a ela.

Além disso, a pessoa passa a se esquecer de coisas, mesmo aquelas que são importantes para ela, perdendo cada vez mais a confiança em si mesma e diminuindo sua autoestima.

Viver no Exterior: Precisamos falar sobre Suicídio!

Em tempos de “13 Reasons Why” eu não poderia deixar de escrever sobre suicídio, já que infelizmente não é raro nos depararmos com notícias de imigrantes ou expatriados que, infelizmente, chegam a se suicidar.

As causas também são variadas, assim como acontece com quem mora em seu país de origem. No entanto, uma das causas atribuídas ao suicídio é a quebra de laços afetivos significativos. Como mostramos acima, essa perda da convivência com amigos e familiares pode ser um dos precursores da depressão, que se não for adequadamente tratada pode levar ao extremo de um suicídio.

A grande maioria das pessoas que sofrem com a depressão não cometem esse ato, mas é importante sempre fazer uma auto reflexão sobre a qualidade de nossos pensamentos e sentimentos, entendendo quais são nossos limites e qual o momento em que “você não dá mais conta sozinho(a)” e precisa buscar ajuda.

A questão é séria mas, calma, tem tratamento!

Sintomas depressivos leves quando não tratados podem evoluir para casos de maior gravidade. Daí a importância de buscar a ajuda o quanto antes. Mas, sabemos que morando fora nem sempre é tão fácil encontrar o tratamento correto.

Por isso, para facilitar, você pode agendar uma consulta de orientação psicológica on-line e saber como proceder caso precise de um acompanhamento terapêutico. Através das orientações on-line você poderá descobrir quais são as situações gatilho para os sintomas, qual o significado de estar vivenciando estes sintomas justo num momento em que suas experiências poderiam ser tão enriquecedoras e como proceder diante de pensamentos automáticos e disfuncionais sobre si mesmo.

Além disso, também será orientado (a) sobre a pertinência de um tratamento médico em paralelo.

Então, mesmo que você esteja passando por uma fase mais difícil, não desista! Depressão tem tratamento. E se este tratamento for bem conduzido, você poderá desfrutar a sua experiência de morar fora da melhor forma possível.

Tatiana Festi

Tatiana Festi

Atua como psicóloga clínica há mais de 10 anos, é especialista em psicologia junguiana e oferece orientação psicológica on-line para brasileiros que moram no exterior por meio do site Zenklub (https://zenklub.com/psicologos/tatiana-festi)
Tatiana é autora/colaboradora no blog VTEnoExterior e atualmente mora no Chile.

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